FADAS POBRES

Um Blog Extinto.

18.6.09

Alguma coisa está acontecendo e você não tem a mínima idéia do que seja.

20.4.09

In Fluxo

Hoje é o primeiro frio do ano. Li um conto do Tostoi por acaso e estava nevando por lá. Era parte de Moscou, Criméia, perece que eu estive lá hoje. Num estado de sonho. Estou conseguindo recordar melhor dos sonhos, deve ser por que eu não sou mais um CHEFE de nada. Eu não gosto muito de brinquedos. Eles me irritam um pouco. Felizes, coloridos, quase debochados. As cores fortes me irritam, tolero elas de noite, o cinema e a literatura deixa a gente acostumado com as luzes e cores elevadas. É uma afirmação pouco racional e eu não consigo dar mais elementos a ninguém entende-la. É uma afirmação-convite.

Vou colocar minhas tocas no sol. Vou arder de coçar em lã que me irrita a pele. Vou olhar pra ela mais perto e sentir seu perfume de manhã, depois de acordar de um sonho bom. Humano que não hiberna. Que sai ao frio pra viver e viver de alegria e tristeza animal. Minha consciência humana perde muito mais nesses dias. Eu preciso escrever de novo. Não sei se isso é bom ou é ruim, mas nesse exato momento estou muito feliz com a decisão.

26.2.09

De volta De novo De volta

Bem, visual novo. Na real, vida bem diferente. Vou voltar a escrever. Nao me recordo o que foi decidido na ultima reuniao: literatura em blog pode? Nao rola? Da cadeia? Espero reconquistar os leitores aos poucos e experimentar coisas diferentes.

24.3.08

Malditos Poetas que parecem Gatos em Telhados

Ele podia escrever um monte de bobagem pois ninguém ia ler. Então pegou um gravador e livremente saiu na rua conversando com pessoas. parava em bares, bebia, andava de trem, pra lá e pra cá. Colhendo, aglomerando idéias como quem puxa o elástico de um estiligue apontando para a bunda de um gato malvado. Enfurecido com algo que nem bem sabia o que, recolhia suas opiniões e as tinha no mais alto nível da rebeldia. Quando estava a vontade, sentava e escrevia, um irresponsável com uma lâmina na mão, guilhotinando a tudo. Nada escapava. Nada estava a altura de ter menos de vinte anos e sentar com velho num balcão conversando de igual para igual com quem ja tinha tido tudo, perdido tudo, ganhado tudo e perdido tudo de novo. Feliz nessa intersecção de espíritos, ele se sentia a vontade para manipular sua navalha com pessoas que nem ao menos queriam brigar. Um romântico de pouca elegância, as vezes afundado num meio fio emitindo abomináveis ruídos com o estômago. Ele pedia cigarros, ia em festas, dançava, se divertia. Ele era um boa vida. E continua sendo se tu conseguir observar. Um pouco menos dramático do que antes e com um pouco mais de vergonha na cara, ele está solteiro olhando para bundas femininas e masculinas. Um desesperado, ouvindo ao mesmo tipo de música, contando as mesmas mentiras, se disfarçando do mesmo modo. Possível que nem mais ele acredite que um dia possa ser diferente. O buraco é muito fundo e as pessoas só podem passar, olhar, atirar algum lixo ou, se estiverem de mau humor, jogar um cuspe e dizer algumas verdades. Os poetas nunca vão se dar bem, ele pensa. Os poetas são como gatos maus. Cedo ou tarde alguém lhe acerta a bunda e o máximo que se pode fazer é subir em um telhado e correr. Fingindo não ter dor.

14.3.08

Camaradas

Bia estava caminhando por uma estrada de terra molhada. estava descalça, com fome e distante 15 minutos de seu destino. Ela sabia que tinha que voltar pra casa, que estava tempo demais na Cidadezinha, como ela chamava. Era o lugar que ela e os amigos passavam as férias. Desde pequenos, todos pediam grana ou já tinham guardado para o mês na Cidadezinha, na casa do Haroldo. Todos estavam sempre lá. Alguns iam embora mais cedo, outros mais tarde. Dessa vez Bia tinha ficado mais tempo. Dois meses e meio. Estava sem dinheiro, culpada por ter de comer coisas pelas quais não pagava. Talvez eles nem dessem bola, talvez apenas alguns dessem bola. Ela caminhava na terra molhada, de pés descalços amortecidos, quase chegando na casa do Haroldo. Talvez mais cinco minutos. Talvez mais.
Todos as noites era servida uma sopa. De feijão, de abóbora, de beterraba, legumes, eles davam algum jeito. Bia trazia ervas do quintal do vizinho. Ela picava as ervas e fazia uma manteiga com as ervas. Eles comiam com pão. Fernando, Cíntia e Haroldo eram os únicos que ficavam. Bia já tinha saudade das outras pessoas. Pensava que só as veria daqui a um ano. Bia fez a manteiga e foi pro quarto, agora vazio, com duas camas extras. Em uma delas estava um roupão de ceda, era de Maria. Estava alí de propósito. Maria gostava muito de Bia.
-Tu não quer ir né Bia?
-Não. Na verdade eu não queria estar em nenhum lugar. Estar aqui ou em qualquer outra parte não me importa. pelos menos aqui vejo menos gente.
-Eu preciso ir.
-Eu sei.
-Eu não queria. Eu queria que tu fosse junto.
-Eu também. na verdade eu não sei.
Bia lembrava de Maria saindo do banho. De roupão. Magra, com uma queda especial por artistas plásticos. Já tinha namorado 3 deles. O último, um cara mais velho, com um tique horrível no nariz e uma particular insistência em assunto políticos. Bia tinha nojo dele. Teve nojo dos dias que ele passou na Cidadezinha. Mas ela não falou nada. Via Maria feliz. Uma felicidade perdida nela mesma. Orientada por um futuro concreto. Maria já tinha largado as pílulas, já não se interessava tanto por moda, não tinha noitadas para comentar. Nesse ano conversaram sobre coisas superficiais. Não se tocaram. Foi um furo triste no estômago.
O roupão de ceda estava ali na cama. A luz do quarto piscou e Bia soube que alguem tinha saído do banho. Era sua chance. Ela sentou na cama, buscou o telefone na mochila e ligou para casa. Ela tinha que voltar.

3.1.08

Só São

Saldo da Praia: queimadura de sol cor verelha com leves toques brancos pelo dorso onde a quantidade de protetor solar foi demasiada descuidada. Queimadura de leve de água-vida, ou mãe d'água, como desejarem. Só ardeu umas 16 horas. Os telejornais estavam certos. Leve congestionamento. Mas eu gosto. Acho que é um ritual bárbaro sim, pouca roupa, muita bebida, guarda-sol ao vento, bolinha de borracha na cabeça, milho verde e porções de peixes espalhadas a um preço quase sempre selvagem. Tudo bem, sabe. É uma celebração. Não acho o litoral uma merda. Sempre que posso, vou. No Inverno adoro mais ainda. E olha que nunca foi um hábito familiar. Meu pai detesta. Das vezes que fomos, ele reclamava quase o tempo todo. Aos poucos fui pegando birra, mas gosto muito da costa. Me queimei lendo O Velho e o Mar. Parece que esse livro foi feito pra eu ler agora. Durante a faculdade ele circulou perto de mim várias vezes e eu ouvia vozes ao meu redor.

Ei, Thiago, tu nos apresentou Hemingway, velho. Foi tu! Tu que insistia pra nós. E eu pensava: eu sei, tudo bem, mas estou agora em outro livro. E sempre fugia, querendo guarda-lo para uma oportunidade melhor. Isso sempre é muito arriscado. Nunca se sabe se um maluco mamado vai atravessar seu caminho com um Volks antigo sem freio enquanto circulam por aí obras e coisas agradáveis aos olhos e à cabeça.

Mesmo assim eu vou vivendo e arriscando. Circulando entre DVDs do Billy Wilder, Bergman, pelos livros do Camus, coisas da Hilda, poesias do Bukowski, deixo pra mais adiante, pra dias de tédio absoluto. Talvez você esteja pulando da cadeira, gesticulando com os punhos e dizendo: mas que maluco, vá agora fazer essas coisas. Talvez vocês esteja pensando: mas que metidinho a besta com suas referências culturais insignificantes. Talvez você só esteja no meio de uma secreta gargalhada esperando o próximo parágrafo.

E aí vai ele. Indo para um assunto ainda não tocado enquanto os assuntos iniciados não foram concluídos. Pensei num filme na praia. Num filme que posso fazer. Numa história de amor. Não é lá um cartão de Feliz dias dos Namorados. É um filme de amor. Pra pessoas assistirem em casa e se sentirem elogiadas por fazer parte da espécie, mais ou menos isso. O amor e suas nuances infantis, seu modo curioso de investigar a reciprocidade, sua circulação intensa e profunda. Como é massa amar. Fazer uma pessoa que ama feliz. Acho que no fundo, vivemos só pra essa experiência. Tudo o mais em volta é pra que isso seja mantido. Quanto mais relações desse nível a pessoa tiver, mais forte ele é em qualquer outra porcaria que venha fazer. Melhores textos, melhores risadas, melhores alternativas no meio da noite, no meio do dia, no meio, no início e no final da vida. Acho que esse é uma chave.

Bah.

O parágrafo anterior soou meio hipongagem. Agora você deve estar pensando: lá vem ele com essa ladaínha de "agora você deve estar pensando" de novo. OU você deve estar sentindo: lá vai o texto morrendo, morrendo, sem conclusão nenhuma, sem idéia nenhuma, sem originalidade nenhuma, fluído como o meio de um sonho onde as coisas se misturam sem significado algum. Só são. E continuam sendo na nossa cabeça.

19.10.07

Ponto Final

Caminhando ao lado da dama. Acima uma foto de Chloë Sevigny. Muitos faróis, já é alguma coisa pra quem passa o dia todo como uma barata encurralada subindo e descendo escada a procura de alguma resposta, de algum prazo. Secretamente a gente descobre como vai ser o ritmo da vida e tudo parece já estar sendo lá. Desde muito tempo atrás. É tão divertido participa da vida que nem dá tempo de sentir alguma coisa fora disso. Angústia, pressa, ansiedade, tudo isso fazer parte do DIVERTIR. Insegurança, branco, guerras pessoais. Tudo isso mexe demais com o emocional pra parecer uma coisa ruim. Foda era o marasmo de posts atrás onde nada acontecia e eu tinha me limitado espaço para contar piadas e fazer observações da vida. Foda era me manter isolado e esconder os meus problemas. Ideal é fazer dos meus problemas um combustível pra acordar. Ideal mesmo é manter-se amando e estar acordado e dormindo ao lado de alguém que tu sabe que te acrescenta. Amizades bobas fracassadas que se vão por água abaixo no primeiro morro de terra. Grande novidade. Palavras e palavras e palavras. Tudo que importa delas é a intenção por trás dela. Demora mas eu aprendo. Demorou mas eu já me sinto um gigante. Como ha muitos tragos não me sentia. Livre pra escrever. Livre para ser um escritor. Já me sinto um. Nunca na minha vida me senti mais completo como nesse ponto final.